Pesquisa discute como museus de paleontologia podem integrar diferentes cosmovisões para promover pensamento crítico e diálogo entre fé e ciência
A professora da Faculdade Adventista do Paraná (FAP) Maura Brandão, doutora em Ciências e pesquisadora na área de criacionismo, foi uma das colaboradoras de um artigo publicado em uma revista científica conceituada no país, avaliada pelo Ministério da Educação (MEC) com classificação A3, indicador de relevância na produção intelectual dos programas de pós-graduação stricto sensu.
O artigo analisa o papel de museus escolares de paleontologia e como esses espaços podem integrar diferentes cosmovisões (evolucionista, criacionista e design inteligente) para estimular o pensamento crítico, a alfabetização científica e o diálogo entre fé e ciência.
Maura explica que, normalmente, museus que apresentam fósseis costumam expor apenas a perspectiva evolutiva da história da vida. “Em nosso artigo defendemos a importância de incluir a perspectiva cristã para desenvolver nos alunos o senso crítico. Quando se apresenta somente a perspectiva evolutiva, a mensagem transmitida é de que essa teoria é a única explicação possível para a formação dos fósseis e para a origem daqueles animais”, observa a professora.
Ela acrescenta que, ao contrastar diferentes interpretações, o estudante passa a ter mais ferramentas para refletir e analisar as evidências apresentadas. Além de discutir a importância desse diálogo entre teorias, o estudo também apresenta exemplos de museus que adotam essa abordagem, contexto em que se insere a contribuição da professora.
Maura viveu por dois anos nas Ilhas Galápagos, no Equador, onde atuou na coordenação de atividades de apoio à pesquisa no Origins Museum of Nature. No artigo, ela compartilha sua experiência nesse contexto, descrevendo o museu criacionista existente na região e destacando sua relevância no campo educacional.
Para o diretor acadêmico da FAP, pastor Elmer Guzman, a pesquisa tem relevância para a identidade adventista, uma vez que o criacionismo integra a cosmovisão da denominação. “O artigo foi publicado em um periódico científico aberto, não denominacional e não confessional. Isso demonstra a relevância e a qualidade das pesquisas realizadas por nosso corpo docente e reafirma a seriedade da perspectiva adventista ao abordar a origem da vida”, destaca.
O diretor também ressalta que a publicação reforça os planos da FAP de desenvolver um museu criacionista no campus. “Não será apenas um museu, mas um centro de pesquisa nessa área, envolvendo filosofia, teologia e ciências naturais. Nosso propósito é criar um espaço de diálogo e investigação que contribua para formar uma nova geração de cientistas criacionistas, que considerem a narrativa bíblica das origens”, relata.
Para Maura, o mais importante foi ter um espaço para falar sobre a integração entre fé e ensino em uma área extremamente relevante da ciência, especialmente quando se trata do debate sobre as origens. “Publicações como essa dão voz a pesquisadores que trabalham nessa perspectiva e conferem credibilidade ao tema dentro do ambiente acadêmico, além de incentivar novas pesquisas que dialoguem com essa relação fé e ciência”, pontua.
O artigo foi publicado na revista “Periódicos Brasil” e tem como título “Entre Camadas e Catástrofes: Museus Escolares Criacionistas como Pontes entre Ciência e Cosmovisão”. O artigo foi organizado pelo pesquisador Marcio Fraiberg Machado (PUC/RS) com a colaboração de Reginéa de Souza Machado (Unicesumar-PR), Gustavo Gesini Britto (Museum of Nature, Galápagos, Equador) Jonatas Collaço de Souza (Colégio Adventista de Palhoça – SC) e Wilson Quiroga Saavedra (Universidad Peruana Unión, Perú), além da professora da FAP Maura Eduarda Lopes Brandão.
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