A pesquisa será realizada com adolescentes de internatos adventistas para compreender a relação entre estilo de vida e fatores perinatais na prevenção de doenças futuras.
O professor Yohann Rocha, coordenador do curso de Enfermagem da Faculdade Adventista do Paraná (FAP), foi classificado em terceiro lugar no Doutorado em Ciências Fisiológicas da Universidade Estadual de Maringá (UEM), com uma pesquisa sobre a influência de fatores perinatais e do estilo de vida na saúde de adolescentes e seus impactos na vida adulta.
O estudo será desenvolvido com adolescentes do primeiro ao terceiro ano do Ensino Médio, matriculados em internatos adventistas no território sul do Brasil. A proposta é investigar o estilo de vida desses jovens e compreender como fatores desde o período gestacional podem impactar sua saúde ao longo da vida. A pesquisa busca identificar, por exemplo, aspectos como tipo de parto, amamentação, vacinação e introdução alimentar, relacionando-os com possíveis desfechos na vida adulta.
Segundo o professor, a intenção é ir além da observação e contribuir de forma prática para a promoção da saúde: “Se a gente descobre isso durante a adolescência, a gente tem chances de intervir e evitar que ele seja um adulto doente”, explica.
Filosofia de saúde
O trabalho também se fundamenta em princípios valorizados pela filosofia adventista, e incentivados dentro dos internatos, como a adoção de um estilo de vida saudável, que inclui alimentação equilibrada, prática regular de exercícios físicos, temperança e confiança em Deus. Nesse sentido, a pesquisa busca evidenciar, com base científica, os benefícios desses hábitos na formação de indivíduos mais saudáveis.
O coordenador acredita que a pesquisa deve confirmar as orientações divinas relacionadas ao cuidado com a saúde. “De forma indireta, o trabalho deve trazer um testemunho de que as orientações que Deus nos deixou realmente produzem resultados. A própria ciência já demonstra que pessoas com um estilo de vida mais saudável apresentam melhores condições de saúde”, destaca Rocha.
A investigação será orientada pela teoria conhecida como DOHaD, do inglês Developmental Origins of Health and Disease, e em português “Origens Desenvolvimentistas da Saúde e Doença”, que analisa como fatores ambientais e biológicos nos primeiros estágios da vida influenciam o risco de doenças ao longo do tempo.
Incentivo à pesquisa acadêmica
De acordo com a professora Kesia Rigo, orientadora da pesquisa e docente da FAP, a instituição tem ampliado seus investimentos no corpo docente, o que impacta diretamente em sua qualidade acadêmica. “O fortalecimento da pesquisa e da pós-graduação tem um papel estratégico e influencia diretamente no propósito de nos tornarmos um centro universitário. Minha atuação tem seguido essa direção, sempre com o apoio da instituição”, afirma.
Como exemplo, ela destaca sua inserção no Programa de Pós-Graduação em Ciências Fisiológicas da UEM, viabilizada a partir de seu vínculo com a FAP e da consolidação dos projetos de pesquisa desenvolvidos. Atualmente, a professora atua nos cursos de Enfermagem e Psicologia, com envolvimento em projetos de pesquisa e orientação de alunos de iniciação científica e pós-graduação.
Segundo Kesia, essas parcerias têm ampliado as oportunidades acadêmicas para docentes e estudantes. “Temos conseguido construir pontes importantes, promovendo projetos multicêntricos e recebendo alunos de iniciação científica e da pós-graduação. Isso permite que a pesquisa aconteça em cooperação entre instituições, beneficiando tanto a universidade quanto a rede adventista”, ressalta.